Colégio Cristo Redentor

Como evitar o risco de confundir o adjetivo,"mau" com o advérbio "mal”


A confusão entre o adjetivo "mau" e o advérbio (ou substantivo) "mal" é das coisas tristes que ainda se veem por aí em ensaios, teses, relatórios, cartas, textos de jornais, revistas e peças publicitárias.

      Um jornal anunciou certa feita que Fidel Castro "parecia sentir-se mau" numa reunião com outros presidentes sul-americanos. Eram tempos em que Fidel andava já sem farda. Faz tempo, mas o exemplo é bom. "Sentir-se mau" é muito mau.

      Um outro dia - inesquecível - uma revista publicou que "uma peça mau colocada" tinha provocado o acidente em que o piloto morreu. Mau colocada não é mole.

      Não há dúvida de que qualquer um, por experiente que seja, pode ter dúvidas até sobre coisas prosaicas. Mas que surjam dúvidas. E que elas provoquem a curiosidade de relembrar a solução.

      Sem choque.

Uma forma prática de resolver a dúvida entre o uso de mau e de mal é simples: mau é o contrário de bom, e mal, o contrário de bem. Na frase duvidosa, basta experimentar o bom e o bem; o que se encaixar bem, sem choque lógico, será substituído sem susto pelo seu oposto, também conhecido como antônimo para os íntimos.

Nas frases exemplares publicadas sobre o acidente do carro e sobre a aflição do Fidel, é só trocar: "A peça bom colocada levou o piloto ao céu".

Até uma criança distraída percebe que o “bom” aí não vai bem, por isso não tem cabimento usar seu oposto, mau, como fez o mau redator. Logo, peça bem-colocada e, portanto, peça mal colocada.

No caso do barbudo ex-líder, a mesma coisa. Fidel não poderia ter-se sentido "mau", porque também não se sentiria "bom"; poderia até ser ou ter pensado que é bom, que tinha bom coração, mas haveria de sentir-se bem ou mal, dependendo do que tivesse comido ou da intensidade da pressão norte-americana pré-Obama. Jamais, por todos os malufs, se sentiria bom ou mau, como tão mal publicou o jornal para vergonha de todos.

      Josué Machado.

      Fonte: http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11786