Colégio Cristo Redentor

Conhecendo artistas locais


 Petrillo - A paisagem através da linha imaginária

        Em 1975, nascia em Valença, região do Vale do Paraíba, local das citadas fazendas históricas do século XIX, o artista Petrillo*. Apesar de a cidade de Valença ser um espaço que respira os ares do passado, foi em Minas Gerais que esse fluminense iniciou seu caminho no mundo artístico.

      Aos 20 anos, Petrillo opta por se dedicar ao estudo das Artes Plásticas, fazendo da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, seu verdadeiro observatório e ateliê. Lá se dedica a uma intensa pesquisa dos materiais e pigmentos, dando destaque aos tons da terra.

Passados alguns anos de estudos, Petrillo se abre para um novo resgate, de valorização do tempo. Ele queria retratar a história e acabou desenvolvendo um crescente interesse pelo desgaste das coisas antigas, conforme define o crítico Paulo Reis.

       Em 1995, ao entrar pela primeira vez no Museu Nacional de Belas Artes, ele imaginou um dia expor sua obra dentro do prédio neoclássico, bem no centro do Rio de Janeiro. Aos 27 anos, a profecia se realiza, com a exposição temporária "Linha Imaginária", na qual Petrillo projeta sua obra através da têmpera sobre lona, em um dos espaços da instituição, a atual sala Chaves Pinheiro, na antiga Escola de Belas Artes.

      Em meados de 2002, reelabora o processo de pesquisa e inicia a busca de um novo caminho, retornando ao desenho, até perceber que estava desenhando com a tinta, e que, no intervalo existente entre uma linha e outra, havia uma linha imaginária. Nesse período, em uma viagem de avião para o Rio de Janeiro, vê na linha do horizonte possibilidades que nortearam um novo olhar do artista para sua poética. Petrillo revela a linha imaginária no novo horizonte que buscava e volta às telas para pintar as faixas de cor que viu do céu, as paisagens aéreas, ora intercaladas por faixas douradas, oriundas dos raios do sol.

      Imagens sob uma perspectiva aérea são produzidas em seus trabalhos, com diversas camadas de cor e linhas que deslizam pela tela, sobrepondo o desenho na pintura.

 

      Ao invés de retratar a natureza por meio de uma visão simplista, a pintura de Petrillo usa a cor e a linha para evocar lembranças, reminiscências ou mesmo uma paisagem que brota do seu inconsciente. Ele oferece uma panorâmica que não é a real, mas a criada em sua memória; são impressões imaginárias, provocadas por sensações particulares. Esse é o seu relato da paisagem.

                                                         Paulo Reis (Crítico de Arte)

 

      Atualmente, o artista plástico Petrillo reside em Juiz de Fora (MG), onde tem o seu ateliê e desenvolve um projeto sócio-educativo, por meio da Arte Educação com crianças e jovens de baixa renda, tentando levar a arte e seus conceitos a comunidades que as desconhecem.

(FONTE : http://www.revistamuseu.com.br)

 

*Petrillo é professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora.

Coordenação de Artes e Inglês