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21/10/2014

Refletindo Sobre a Educação Brasileira

Refletindo Sobre a Educação Brasileira

A coordenadora de cultura Elizabeth Sacchetto publicou um artigo no Correio Braziliense, em que destaca transformações e perspectivas do fazer pedagógico no Brasil. Confira:

Refletindo sobre a educação brasileira

Quase 40 anos de magistério me permitem uma reflexão sobre a educação no Brasil. Não ministrei aulas na escola pública, nem em universidade federal; minha experiência na docência se limitou à educação privada, em escola de educação básica e em faculdade particular. Foram trinta anos dedicados aos Ensinos Fundamental e Médio e vinte e sete anos ao Ensino Superior, lecionando Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Durante esse tempo, vivenciei muitas mudanças, determinadas pelos planos de governo, para garantir a qualidade do ensino, tornando a educação um direito para todos. Várias vezes, moldei o fazer pedagógico às orientações e exigências pautadas pelos novos paradigmas educacionais, acompanhando e analisando os resultados dessas transformações. 
 
Na década de 90, com a promulgação da Lei 9.394, em substituição à lei 5.692, que vigorou por 25 anos, a educação tomou novo rumo. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e as diretrizes curriculares exigiram, dos profissionais da educação, estudo e trabalho para implantação de novas metodologias e estratégias de ensino. 
 
Implantou-se, nessa mesma década, o sistema nacional de avaliação educacional. A avaliação que, a princípio, se limitava à sala de aula, ao dia a dia do professor, à verificação da aprendizagem, buscou outro caminho, a avaliação do desempenho escolar em larga escala, realizada por agente externo, com o propósito de produzir informações sobre a realidade educacional do país, a fim de que as políticas educacionais pudessem ser revistas, para garantia da qualidade e da equidade em educação. Destacam-se a autoavaliação, que tem o ENEM como exemplo;  a certificação, representada pelo ENCCEJA; as avaliações diagnósticas, como a Provinha e a Prova Brasil; e outras. 
 
Vislumbravam-se, desde os anos 90, como veio a acontecer, normas diferenciadas para o ingresso no ensino superior, que teve suas portas alargadas, na mesma década, pela criação de faculdades, centros universitários e, até, universidades privadas.  Gradativamente, outras medidas foram incorporadas ao sistema educacional, visando à facilitação do acesso ao ensino superior. Os vestibulares seriados, adotados por algumas universidades; o sistema de cotas; o SISU; o FIES; o PROUNI; o ENEM, já mencionado, constituíram-se como oportunidades dadas a todos. Cabe, também, um olhar para a modalidade EaD e para os cursos de graduação tecnológica, que  trouxeram mais opções. 
 
Vê-se, hoje, que a educação superior abriu-se para todos os seguimentos da sociedade, mas sinto a falta de um ensino profissionalizante, de nível médio, para todos, experiência vivida, no passado, pelas escolas de iniciativa privada. A criação do PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), em 2011, contemplou, apenas, as escolas públicas estaduais, os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e os Serviços Nacionais de Aprendizagem - como o SENAI e o SENAC. Recentemente, a portaria 701, de 13 de agosto de 2014, alterou a anterior, dispondo sobre a habilitação das instituições privadas de ensino superior e de educação profissional técnica, de nível médio, ao programa, mas, ainda, não se estabeleceu, no currículo, obrigatoriamente, a educação profissionalizante.
 
Quanto à educação superior, a cada ano, tem-se constatado que os ingressantes trazem uma bagagem menor, demonstrando que os pré-requisitos não foram alcançados. Parte do público que ascende ao ensino superior não detém os domínios básicos necessários a esse acesso. Surgem, dessa realidade, indagações que não se calam: em que e por que erramos? o que precisa ser revisto, principalmente nos pilares de sustentação do processo educacional? 
 
O tempo urge e não podemos ficar parados à espera de um milagre. Milagres só acontecem porque agimos com fé. Precisamos da crença de que somos capazes de mudar, não para termos dados estatísticos satisfatórios, mas para que atinjamos o esperado: pessoas aptas ao exercício da cidadania e para a atuação profissional.
 

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